segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Ocorreu há 20 anos... (III)


Foi para os portistas o remate de ouro na grande saga da conquista do Mundo. Depois da Taça dos Campeões e da Taça Intercontinental, a Supertaça Europeia.

Com 1987 quase a terminar, o primeiro passo, com vitória espectacular em Amesterdão, na noite em que nasceu uma estrela: Rui Barros. Desconcertando.

Dele se disse ser «impossível de travar, como Maradona, mas duas vezes mais rápido.» Um pesadelo na noite fria. Apesar do golo. E da farândola de golos falhados.

Tomislav Ivic apresentou Mlynarczyk; João Pinto, Geraldão, Lima Pereira e Inácio; André; Jaime Magalhães, Rui Barros, Frasco (Quim) e Sousa; Gomes.

O golo de Rui Barros aos 5 minutos abriu caminho para mais uma... taça, mas houve, também, sobretudo, festival de golos perdidos.

Um jornalista holandês, deslumbrado, escreveu: «Parecia uma partida de xadrez entre uma criança de quatro anos e um grande mestre internacional».


A meio de Janeiro a consagração, nas Antas, a euforia nas bancadas, outra vez a vitória, outra vez por 1-0, com golo de Sousa aos 71 minutos.

Desta vez Ivic lançou Mlynarczyk; João Pinto, Geraldão, Lima Pereira e Inácio; Bandeirinha (Semedo) e André; Jaime Magalhães, Rui Barros e Sousa; Gomes (Jorge Plácido).


Aos 69 minutos os festejos e o alarido foram interrompidos, dando lugar a ruidosos protestos, quando Fernando Gomes foi substituído por Jorge Plácido. Em consequência da monumental assobiadela, o dirigente Teles Roxo anunciou a sua demissão.

Ivic exultou: «É um grande feito, este que o F. C. Porto conseguiu, pois até agora apenas a Juventus havia conseguido ganhar tudo. Esta sucessão de êxitos dificilmente será repetida e esta geração portista, com o presidente que tem, é uma geração de ouro.» Sobre a substituição de Gomes, respondeu com candura: «Correra muito, estava muito cansado, não o quis sacrificar mais». Houve quem risse...


Gomes não quis comentar a sinfonia de assobios destinada a Ivic e ironizou: «Foi uma festa bonita, estou muito feliz. Se já penso na minha retirada? Eu sou homem de viver o presente e pouco me preocupar com o futuro, mas tenho um amigo astrólogo que diz que ainda hei-de jogar mais quatro anos...»

Pinto da Costa, depois de dedicar o triunfo a seu filho Alexandre, «o maior portista que eu conheço», ausente das Antas por doença, afiançou: «Esta grande vitória não é só uma vitória do F. C. Porto é uma das mais maravilhosas vitórias de Portugal.»

Silva Resende, na qualidade de vice-presidente da UEFA, exultou: «É uma página de ouro na história do F. C. Porto e do futebol... europeu. Porque o que os portistas alcançaram é inédito na Europa. Temos de estar todos muito orgulhosos por ter uma equipa assim em Portugal».

2 comentários:

Anónimo disse...

Muito obrigado por alguns pormenores que desconhecia.

Abraço!

Descartes disse...

Uau... Um comentário. Já estava quase a sentir-me como o Padre António Vieira... :D

Obrigado!